5. COMPORTAMENTO 18.9.13

1. MASSA, UMA DECEPO PARA A FERRARI
2. DEPRESSO E DVIDAS
3. CELIBATO EM DISCUSSO
4. OS MATEMTICOS DE DORES DO TURVO
5. FUGA PELA NEVE

1. MASSA, UMA DECEPO PARA A FERRARI
Recordista em resultados negativos na equipe italiana aps quase cinco anos sem vencer, Massa perde o emprego e a Federao Internacional de Automobilismo procura uma sada para que o Brasil no fique fora da F1
Rodrigo Cardoso

Felipe Massa no tem o que reclamar da Ferrari, a equipe italiana de F1 que dispensou seus servios para o prximo ano, em anncio oficial feito na quarta-feira 11. Faz cinco temporadas que o brasileiro vem sendo superado pelos companheiros de escuderia que correm ao seu lado. Massa encerrou a sua participao nos campeonatos compreendidos entre 2009 e 2012 na 11a, 6a (duas vezes) e 7a posies, respectivamente. Seus parceiros terminaram em 6o, 2o, 4o e 2o lugares. Neste ano, enquanto o espanhol Fernando Alonso  vice-lder, o brasileiro amarga a 7a colocao. Infelizmente para o torcedor brasileiro fantico por F1, Massa, aos 32 anos, foi excludo dos planos da mais tradicional equipe do automobilismo mundial sustentando um ttulo nada glorioso. Entre todos os pilotos que um dia sentaram no cockpit da Ferrari, ele  o que mais provas disputou sem ter conquistado uma vitria (leia quadro).

DESEMPREGADO - Dispensado depois de passar 79 GPs sem vencer, Massa tenta ir para a Lotus

J se vo 79 grandes prmios sem subir no lugar mais alto do pdio desde 2008, quando o brasileiro ganhou em Interlagos. Nunca um piloto da Ferrari havia permanecido na equipe depois de ter ficado tanto tempo sem vencer. Agora, Massa corre atrs de uma vaga para 2014. Quero um carro competitivo para vencer muitas outras corridas e um campeonato mundial, que continua sendo o meu maior sonho, disse ele, 11 vitrias em 133 GPs disputados pela Ferrari, ao anunciar por redes sociais que no

teria seu contrato renovado. Nos oito anos em que defendeu o time de Maranello, o piloto por pouco no encerra o jejum de ttulos do Brasil na competio que j dura 22 anos  Ayrton Senna foi o ltimo a conquistar um campeonato, em 1991. Em 2008, Massa perdeu o campeonato na ltima curva do GP de Interlagos, quando o ingls Lewis Hamilton fez uma ultrapassagem que lhe assegurou o campeonato.

Agora, o agente de Massa trabalha para coloc-lo na Lotus, de onde sair o finlands Kimi Raikkonen rumo  vaga do brasileiro na Ferrari. Caso isso no ocorra, o Brasil pode ficar sem um representante na categoria depois de 44 anos. Bernie Ecclestone, o ingls todo-poderoso que promove o Mundial, porm, estaria articulando para que o fato no se concretize. O motivo: no ano passado, o Pas desbancou a China e tornou-se o maior mercado da F1 ao registrar uma audincia para a categoria de 85,55 milhes de espectadores. No h como negar que Massa no  nem sombra daquele que um dia teve status de piloto principal da equipe italiana. Depois do vice-campeonato em 2008, ele vinha com bom desempenho em 2009. Em julho porm, nos treinos para o GP da Hungria, uma mola se desprendeu do carro da Brawn de Rubens Barrichello e atingiu a cabea do ferrarista, que fraturou o crnio e sofreu leso cerebral.

A essa infelicidade , costumeiramente, atribuda a queda de rendimento de Massa. Mas no se deve esquecer que o brasileiro  um piloto de estilo agressivo. At o acidente, ele se beneficiava do fato de poder acelerar o tempo inteiro, j que naquela F1 havia reabastecimento e duas trocas de pneus, que no se desgastavam tanto. Quando ele se recuperou e voltou s pistas, em 2010, a categoria era outra, sem reabastecimento e pneus mais estreitos e frgeis. Massa no se adaptou bem. Para Lus Fernando Ramos, o Ico, especialista em automobilismo do Grupo Bandeirantes de rdio e do dirio Lance!, a competio, hoje,  uma mistura de velocidade com resistncia. O Massa  veloz, mas no tem uma grande viso de corrida. E essas provas de administrao de pneus pedem isso, diz ele.

Correndo ao lado de Alonso, Massa foi engolido pelo bicampeo espanhol, considerado o melhor do mundo na pista e, fora dela, um politiqueiro de primeira linha. Ao abrir passagem ao parceiro cumprindo uma ordem da Ferrari e ceder uma vitria certa no GP da Alemanha, em 2010, o brasileiro deixou claro que havia descido de patamar, assumindo o posto de coadjuvante. Da para a degola foi uma questo de tempo.


2. DEPRESSO E DVIDAS
Ru em pelo menos sete processos, Champignon estava atolado em dvidas e abatido pelas crticas dos fs que o acusavam de ser traidor por assumir o lugar de choro na banda. Ele no aguentou tanta presso e se matou
Natlia Mestre

Por volta das 14h do domingo 8, uma montagem exibida no Facebook fez chorar o baixista Luiz Carlos Leo Duarte Junior, o Champignon, ex-integrante das bandas Charlie Brown Jr., Nove Mil Anjos e A Banca  grupo com os integrantes remanescentes do Charlie Brown Jr., criado menos de um ms aps a morte do vocalista Choro. A foto trazia o nome Os Mercenrios no lugar de A Banca e a frase Eu sou Judas sobre o peito de Champignon. Assim que vi, entrei em contato com ele. Eu o conhecia muito bem, sabia que estaria abalado, conta o cantor Per Carpigiani, ex-companheiro dele na Nove Mil Anjos. Foi uma conversa rpida, mas Champignon mostrou-se abatido. Ele me disse que as pessoas no faziam ideia da dor dele naquele momento, conta Per.  noite, o baixista foi jantar no restaurante japons Sushi da Villa com a atual mulher, Cludia Bossle Campos, grvida de cinco meses, e um casal de amigos. Champignon exagerava nas doses de saqu, o que motivou uma discusso com a esposa. Pouco depois da meia-noite chegaram em casa e entraram no elevador sem se falar. O baixista fez um gesto de degola em direo s cmeras de segurana. Ao entrarem no apartamento, Champignon se trancou no quarto onde guardava instrumentos, pegou a pistola 380 e deu dois tiros: o primeiro no cho, como um teste, e o segundo na cabea. Morreu na hora, aos 35 anos.

Foi um desfecho trgico de uma histria de altos e baixos. Ele vinha tentando se reconstruir aps a perda de dois grandes amigos e companheiros de banda: Choro, do Charlie Brown Jr., que morreu de overdose em maro, e Peu Sousa, da Nove Mil Anjos, que se enforcou em maio. Meu irmo estava deprimido, triste. Ele se sentia s e sem amigos, afirma a irm Elaine Duarte. Champignon tambm estava atolado em dvidas. Nos ltimos anos, chegou a fazer pelo menos duas declaraes de pobreza  Justia requisitando defensores pblicos para represent-lo na Justia  ele era ru em sete processos nas cidades de Santos, So Vicente e So Paulo. O Banco Matone cobrava a devoluo de um imvel em So Paulo onde moravam sua ex-mulher e sua filha Luiza, de 7 anos. Em 2001, o Banco Continental pediu a devoluo de um veculo financiado e no quitado. Em 2009, a Justia o condenou a pagar R$ 96 mil para a Engeterpa Construes e Participaes. No ano passado, o msico deixou de pagar o IPVA de seu carro, um Gol 2007. Alm disso, correm duas aes judiciais por no pagamento de penso alimentcia.

GRUPO -  dir., a banda Charlie Brown Jr.: Choro (no centro) morreu de overdose h seis meses e Champignon (segundo  esq.) se suicidou

Ainda assim, havia perspectiva de melhoras. Em dez dias, A Banca daria incio  gravao do clipe da msica Novo Passo, que fala justamente sobre a coragem de recomear. Ele era o mais empolgado da turma, sempre cheio de ideias para o clipe, disse o diretor Rodrigo Bernardo. O grupo tambm estava prestes a sair em turn do novo disco, recm-lanado. Nos vimos um dia antes de ele morrer. Ele estava muito animado com os prximos shows, conta o baterista Bruno Graveto. Grvida de uma menina, a viva deixou uma mensagem no Facebook na quarta-feira 11, agradecendo o apoio dos fs e amigos. Ainda no sei como vou suportar. Vivi o amor mais sublime e raro. Ele era a pessoa mais encantadora e maravilhosa do mundo!!! Sorte de quem pde conhec-lo.

DOR - A viva, Cludia Bossle Campos (no centro), no enterro, com o chapu de Champignon


3. CELIBATO EM DISCUSSO
Novo nmero 2 da Igreja Catlica afirma que  possvel modificar a regra que impede padres de se casarem
Joo Loes

Embora ainda no tenha assumido o cargo de secretrio de Estado do Vaticano  a posse ser em outubro , o arcebispo italiano Pietro Parolin j fala com a altivez de quem compe a direo da nova Igreja Catlica sob o papa Francisco. Em entrevista ao jornal venezuelano El Universal, o prximo nmero 2 da Santa S, que ainda atua como nncio apostlico no pas, no escondeu sua veia progressista quando foi questionado sobre o celibato. No  um dogma da Igreja e pode ser discutido, porque  uma tradio eclesistica, afirmou, sobre a regra que probe padres de se relacionarem de forma conjugal.  possvel falar, refletir e aprofundar esses temas que no so de f definida e pensar em algumas modificaes. Modificaes que vo alm do carro do papa, que ganhou um Renault 1984 na semana passada.

PROMESSA - Pietro Parolin (acima), o novo secretrio de Estado do Vaticano. O papa Francisco (abaixo) observa o Renault 1984, que ganhou de um padre italiano

Embora o celibato, desde sua instituio no primeiro sculo, seja regra e no dogma, portanto passvel de questionamentos,  incomum ver religiosos em altos cargos da hierarquia catlica tratando o assunto de maneira to aberta. O tom faz sentido dentro do contexto de abertura proposto pelo novo papa, diz o padre Marcio Fabri dos Anjos, professor emrito da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assuno. A regra agora  no fechar dilogo em pontos que so dialogveis.

A discusso  oportuna em um momento como o que se vive atualmente, de escassez de vocaes. Estima-se que, hoje, no Brasil, haja 22 mil padres para 48 mil centros de atendimento religioso, segundo dados da prpria Igreja. Um dficit, portanto, de pelo menos 20 mil sacerdotes. Enquanto isso, tornar-se sacerdote no  tarefa fcil. O candidato estuda, em mdia, oito anos  quatro de filosofia e mais quatro de teologia  e ainda deve abrir mo de um projeto de vida conjugal. Mas rever o celibato no ser tarefa fcil, diz Fabri dos Anjos. Envolve um repensar de toda a organizao da Igreja. Algum em cargo to alto pelo menos pensando nessa possibilidade j  um avano.


4. OS MATEMTICOS DE DORES DO TURVO
Escola pblica de pequena cidade mineira torna-se a maior campe da Olimpada de Matemtica ao estimular os alunos a estudarem at cinco horas aps as aulas e distribuir prmios como tablets
Wilson Aquino

Dores do Turvo  uma pequena cidade da Zona da Mata mineira, distante 320 quilmetros da capital Belo Horizonte. O nome homenageia a padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores, e o principal rio da regio, o Turvo. Os 4,5 mil habitantes tm cotidiano de uma tpica cidade do interior: passeiam na praa principal, que tem coreto e igreja matriz, e andam de charrete entre a rea urbana e a rural. Nos anais da Cmara Municipal, consta que os filhos mais ilustres da cidade so um desembargador e um jogador de futebol  do Tupi, time mineiro da quarta diviso. Mas as montanhas que cercam o municpio guardam uma glria muito maior: Dores do Turvo desbancou todos os municpios brasileiros, incluindo as grandes capitais, na disputa pelo ttulo de campeo da histria da Olimpada Brasileira de Matemtica das Escolas Pblicas (OBMEP), com 133 medalhas conquistadas. A cidade tem apenas uma opo escolar para alunos do sexto ano do ensino fundamental at o terceiro ano do ensino mdio, a faixa que disputa a Olimpada, a Escola Estadual Terezinha Pereira  e  de l que saram os vencedores, desde a primeira edio da prova, em 2005. So seis medalhas de ouro, sete de prata, 21 de bronze e 99 menes honrosas. O desempenho do municpio na proporo de alunos participantes versus medalhas conquistadas superou em seis vezes o resultado de Belo Horizonte, em dez vezes o do Distrito Federal e em 12 vezes o de So Paulo. No ano passado, dos 29 jovens dorenses que participaram dos exames, 26 foram premiados. O ttulo de maior produtor de leite da regio agora foi substitudo, com orgulho, pela frase A trilha do ouro da matemtica, estampada em outdoors pela cidade.  uma honra danada para o povo dorense ver os filhos da terra sendo reconhecidos por seu talento em nvel nacional, afirmou  ISTO o prefeito Ronaldo de Souza, o Roni (PMDB).

CAMPEES - Evandro da Silva, Dvila Meireles e Filipe Arruda: moradores da rea rural do municpio, trs medalhistas. Abaixo, o professor de matemtica Geraldo Amintas: "S ganha quem se dedica", diz ele

Em um pas com ndices pfios na disciplina, qual  o segredo do bom desempenho da cidade? Isso  resultado da aliana entre professores, pais de alunos e comunidade, resume o professor Claudio Landim, coordenador geral da OBMEP. Os detalhes so dados pelo professor de matemtica Geraldo Amintas, 54 anos, e incluem at estratgias questionveis, como presentes. Motivamos os alunos mostrando os benefcios da Olimpada, como bolsas em cursos de iniciao cientfica e brindes distribudos por ex-alunos bem-sucedidos, como aparelhos de MP3, camisas oficiais da Seleo Brasileira, mquinas digitais, celulares e tablets. Mas s ganha quem se dedica mesmo, afirma. Criamos uma cultura de participao na Olimpada. Os alunos chegam  escola pela manh, assistem s aulas normais e passam at cinco horas aps o turno escolar debruados sobre o material fornecido pelo OBMEP, explica Amintas. Decorar frmulas  um mtodo descartado. A metodologia investe no raciocnio lgico, mas no permite que o processo seja estressante para o estudante, pois acredita que no h aprendizado de qualidade sob presso.

A Olimpada de Matemtica  um programa dos Ministrios da Educao e de Cincia e Tecnologia, em parceria com o Instituto Nacional de Matemtica Pura e Aplicada e a Sociedade Brasileira de Matemtica. A ltima edio contou com quase 20 milhes de alunos inscritos, representando cerca de 86% das escolas pblicas do Pas. Os estudantes Dvila de Carvalho Meireles, 14 anos, Evandro Jnior Firmiano da Silva, 13, e Filipe Jess de Castro Arruda, 15, tm em comum o fato de serem medalhistas e morarem na parte rural da cidade. Arruda, que ganhou condecorao de ouro, passou em um concurso e estuda, atualmente, em uma escola tcnica de Juiz de Fora. Dvila teve, no ano passado, a melhor classificao do Estado de Minas e a segunda melhor de todo o Pas. Ela mora com o pai pedreiro e a me lavradora a 50 quilmetros do centro da cidade e, para chegar  escola diariamente, anda uma hora e meia de nibus por estradas ruins. Modesta, atribui suas excelentes qualificaes ao fato de ter facilidade em aprender matemtica. Mas reconhece que os louros vindos da Olimpada fizeram com que tomasse mais gosto pela matria e a inclusse em seu projeto de vida. Ainda no sei qual faculdade vou fazer. Mas, com certeza, vai ser algo relacionado  matemtica, diz ela.


5. FUGA PELA NEVE
Ele resistiu a quatro meses de inverno rigoroso, numa das regies mais inspitas do planeta, comendo ratos e corujas. Mas tudo indica que foi a maneira que ele encontrou para escapar da Justia
Joo Loes

Era para ser uma histria de herosmo, daquelas que encantam por mostrar a fora e a engenhosidade do ser humano em situaes limite. Perdido depois de uma tentativa frustrada de cruzar, a p, a Cordilheira dos Andes entre o Chile e a Argentina, Ral Cincunegui, um uruguaio de 58 anos, resistiu a quatro meses de inverno rigoroso em uma das regies mais inspitas do planeta. Por sorte, encontrou, pouco depois de se desorientar, um rudimentar abrigo para montanhistas no oceano de neve andino e l se refugiou, comendo o pouco de charque e frutas secas disponveis. Quando a comida acabou, caou ratos e corujas com armadilhas improvisadas e derreteu neve para matar a sede. Ao ser resgatado, no domingo 8, 113 dias depois de ser declarado oficialmente desaparecido, estava desnutrido, desidratado e pesando 20 quilos a menos. Foi um milagre, disse Jos Luis Gioja, governador da provncia de San Juan, um dos primeiros a falar com Cincunegui logo que o helicptero que o resgatou pousou.  at difcil acreditar que ele sobreviveu a tudo isso.

EM FAMLIA - Ral Cincunegui acima ao ser resgatado e com a mulher, Teresa (segunda da esq. para a dir.), e as duas filhas, Paula (esq.) e Patrcia (dir.), antes dos quatro meses nos Andes

Mas o que teria levado Cincunegui, que trabalha como encanador, a cruzar os Andes a p? Segundo a mulher e as duas filhas do resgatado, que moram com ele no Uruguai, ele partiu do pas natal para uma viagem de moto pela Amrica Latina em abril e, ao comear sua volta para casa, do Chile, em maio, o veculo quebrou, forando-o a cruzar as cordilheiras a p (leia quadro). Uma explicao que no faz muito sentido. Que homem de 58 anos e sem experincia em montanhismo ou equipamentos apropriados se lanaria, s vsperas do inverno, em uma trilha que cruza os Andes s porque sua moto quebrou? No tardou para que a resposta surgisse e maculasse definitivamente essa bela histria de sobrevivncia. Um dia depois de ser resgatado e internado no hospital Guillermo Rawson, em San Juan, onde se recuperava, surgiu a informao de que Cincunegui era procurado no Chile por abuso sexual de um garoto de 8 anos, filho de uma irm de sua mulher. A acusao formal, apresentada em 22 de abril pela juza Patrcia Varas, do Quinto Juizado de Santiago, proibia Cincunegui de se aproximar da vtima e sair do pas. Ele sabia que no conseguiria sair do Chile seno de maneira ilcita, diz Ingrid Massardo, governadora da cidade chilena de Petorca, a 20 quilmetros da fronteira com a Argentina. Ento ele veio at a nossa cidade, largou a moto, tirou as placas e seguiu para as cordilheiras. Ingrid lembra ainda que a Yumbo 200 cilindradas do uruguaio no estava quebrada.

Cincunegui, portanto, teria se perdido nos Andes porque fugia, desesperado, da acusao de abuso sexual de um garoto de 8 anos de idade. Embora tenha conseguido cruzar a fronteira do Chile com a Argentina  estima-se que ele tenha caminhado 70 quilmetros antes de encontrar o abrigo onde se instalou , o simples fato de hoje estar em outro pas no deve lhe trazer qualquer vantagem. Hospitalizado, seu quarto  guardado por nada menos que sete agentes da Polcia Federal argentina. Assim que receber alta, ser levado a uma priso, onde esperar, encarcerado, at 40 dias pelo pedido formal de extradio do Chile, que j est encaminhado. Ele tambm  acusado de crime semelhante no Uruguai, afirma Ingrid, governadora da cidade de Petorca. Enquanto isso, a mulher e as filhas do uruguaio insistem em dizer que ele  inocente. So acusaes antigas, que foram arquivadas, disse Patrcia, uma das filhas, em um primeiro momento. A acusadora tem problemas psiquitricos, argumentou outra filha, Paula, depois que as acusaes foram confirmadas. Provar a inocncia de Cincunegui pode ser to ou mais difcil que sobreviver a 113 dias sem gua e comida nos Andes.  

